Entrevista / Interview

Entrevista para Ibercultura Viva sobre a Oficina de Filme e Midia Menor feita com Mbyas Guaranis (Português- Español link)

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No mês seguinte, em maio, se deu a oficina de cinema e mídia menor na Aldeia Mata Verde Bonita Ka’aguy Hovy Porã, localizada em Itapuaçu, perto de Maricá, na Região dos Lagos do Rio de Janeiro. Foram duas semanas de trabalho com crianças, jovens e adultos e um cineasta indígena (Miguel Verá Mirim). Ali foram realizadas cinco mídias de “palavras-afetos” e duas videocartas. O grupo também trabalhou num vídeo sobre educação mbya-guarani de Verá Mirim.

Os primeiros dias foram de acompanhamento das atividades da vida na aldeia. Como já existia uma boa relação entre Verá Mirim e os jovens cineastas indígenas com o Coletivo Cinema 7 Flexas (facilitador do trabalho), as coisas fluíram bem. “Partimos dessa relação já estabelecida para criar a nossa, tecer nossa relação e experimentar juntos. Então cozinhávamos, limpávamos, brincávamos até …. chegar a hora desse outro trabalho que era fazer filmes”, conta o cineasta e facilitador de oficinas Ж (KK, o “Kaká”).

“O trabalho de oficina, de cursos, para nós da .txt, é relacional. É desenvolver um saber-fazer radicante, dar as condições para que emerja o que já existe no lugar, o que está em potência. Para que isso possa se dar temos que estar perto, olhar de perto, ser visto, estar vulnerável no sentido pleno disso: aceitar ser ‘comido’ pelo outro e aceitar ser outro também”, ressalta Ж.

montagem_yy                     Crianças da Aldeia Mata Verde Bonita (foto: .txt texto de cinema)

Metodologias

No Brasil o grupo se dividiu numa escala geracional. As crianças nunca tinham participado das oficinas e filmes do Verá Mirim nem das oficinas com o Coletivo Cinema 7 Flexas. Com eles se desenvolveu então uma metodologia própria, baseada no ver-ouvir do cineasta Paul Sharits. “Fizemos um filme curto, com movimento e algumas cores que o Verá Mirim nos disse serem importantes para a cosmogonia dos mbya-guarani e mostramos para a meninada. Depois disso trabalhamos com mapas e espaços interiores para que eles identificassem na aldeia, feita mapa, os lugares, as situações que mais gostavam. Daí saíram as mídias, as palavras-filmes dos primeiros trabalhos”, explica Ж.

Os jovens e adultos já tinham participado de oficinas, puderam reconhecer o que já sabiam e repassar o que sabiam. Muitos dos adolescentes, no entanto, não tinham experiência prévia em cinema e mídia. A eles foi sugerida a elaboração das videocartas, tendo como tema o contexto socioambiental e as formas de re-existir neste tempo geológico. Das conversas e projeção de outras videocartas chegaram à forma-expressão dos videos “Ayvu Anchtengua “(Palavra verdadeira) e “Tapé Porã” (Caminho aberto).

A metodologia ds videocartas é desenvolvida há anos pela equipe do projeto Ventana a la Diversidad, com quem a organização .txt já havia dividido um projeto de formação no Brasil chamado “Fazer o mundo fazendo vídeo”. Ж e Guillermo se conheceram na Guatemala, em um encontro no Centro Cultural de Espanha, e desde então passaram a trabalhar juntos. “Ventana tem essa característica de ser agregador de potências. Por onde passam tentam construir redes de trabalho”, elogia Ж.

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Oficina da Aldeia Mata Verde Bonita (foto: .txt texto de cinema)